Como explicar psicologicamente a defesa de Yala Sena pelos direitos dos criminosos?

Como explicar psicologicamente a defesa de Yala Sena pelos direitos dos criminosos?

22 de novembro de 2016 1 Por Petrus Evelyn
A jornalista Yala Sena, editora-chefe do Portal Cidade Verde, postou uma imagem ontem (21/11), em que criticava o fato de um criminoso ter sido amarrado com corda e colocado no chão em uma delegacia, por falta de algemas. Ela dizia que os Direitos Humanos deveriam ter feito algo contra essa barbaridade. Logo uma chuva de comentários (a maioria criticando a jornalista) surgiu: “Pois leva para casa”, “Ele colhe o que plantou”, “Todo castigo pra bandido é pouco”; enquanto os que defendiam afirmam que ninguém merecia ser tratado assim, pois isso não era justiça.
O texto continua logo abaixo das imagens da postagem:
Mas, será que a Psicologia – os seus principais teóricos – conseguem explicar tanto o comportamento de Yala Sena, como dos seus críticos e, de quebra, da própria violência que vem aumentando a cada dia no Piauí e no Brasil?
O lado primitivo, irracional e agressivo

Vamos começar por Sigmund Freud que é um dos principais expoentes da psicologia e criador da psicanálise. Autor de “A Psicologia das Massas”, Freud, que era adepto de Darwin, afirmava que após o homem adquirir consciência e inteligência, o seu lado animal ficou mais reprimido, mas ainda assim agressivo e violento. E por isso via a necessidade de encontrar formas de controlar os instintivos mais animalescos dos seres humanos.

Em uma famosa carta dele para Albert Einstein, um pouco antes da 2ª Guerra Mundial estourar, ele se dizia preocupado com as forças mais primitivas dos seres humanos sendo controladas politicamente e que tinha certeza que a guerra iria acontecer.

Apesar de não discordar totalmente com Yala, acredito que Freud estaria mais do lado da sociedade (que tenta se organizar e viver pacificamente) do que do criminoso.
Comportamento

Agora vamos falar de outro nome importante dentro da psicologia, B. F. Skinner, considerado o principal cientista da área do século XX e que estudou a fundo o comportamento tanto de animais irracionais como de seres humanos.
Skinner acreditava que apenas uma sociedade que estimulasse bons comportamentos poderia se desenvolver positivamente. Ou seja, é preciso criar as condições para que os comportamentos não-criminosos ocorram (hoje em dia, chamariam de “dar a oportunidade”). Não acho que Skinner chamaria os bandidos de “vítimas da sociedade”, mas considero que ele consideraria que o crime é produto de um meio sem estímulos suficientes para que comportamentos saudáveis ocorram.
Criminosos não fazem escolhas pelo crime, eles fazem o que aprenderam a fazer, o que foi melhor para eles sobreviverem em suas vidas. Ao mesmo tempo que isso não é culpa da sociedade, pois não a sociedade não é um organismo que controla todos os aspectos da vida de todas as pessoas. Mas algo precisa ser feito.
Egil Paulsen
Skinner ficaria no meio termo em favor de Yala, exceto em um aspecto: ele era totalmente contra a agressividade. Para o cientista, toda tentativa de controlar alguém por métodos agressivos geram mais reações agressivas. Nesse aspecto, portanto, ele ficaria totalmente a favor da jornalista, ao afirmar que ninguém deve ser tratado dessa forma.
A teoria das janelas quebradas

Considero que o ponto de união entre os dois lados (e uma possível solução) seja a Teoria das Janelas Quebradas, desenvolvida por um grupo de pesquisadores de Chicago, James Q. Wilson e George Kelling, que afirma que um ambiente degradante estimula a violência e a violência causa um ambiente degradante. Por exemplo: quanto mais crimes acontecem, maior a probabilidade dos crimes continuarem a crescer justamente porque o ambiente está estimulando que isso ocorra (meio Skinner, hein?). Se algo não for feito para parar, vivemos um loop infinito com todo mundo se dando fatalmente mal.

Conclusão inconclusiva
Concluo fazendo uma mistura dos teóricos citados (se fosse citar outros, o texto seria infinito): há falta de oportunidades para pessoas pobres, sim. Isso, no entanto, não justifica que pessoas escolham o crime como uma forma de vida mas, ao mesmo tempo, os próprios bandidos não possuem modelos de comportamento mais saudáveis e não-criminosos.
É um ciclo infinito que, se não for parado de ambos os lados, nunca acabará, tendo como saídas: 
1º tirar os atuais bandidos de circulação, aprisionando-os e diminuindo a violência na sociedade, evitando, no entanto, que eles sofram agressões físicas para que não desenvolvam ainda mais o lado animal e agressivo (punições duras, justas e prolongadas, mas sem violência) e;
2º criar um ambiente social mais saudável, que estimule comportamentos de ética, cidadania e trabalho e desestimule o crime. Uma sociedade que as pessoas se sintam tranquilas e não precisem andar com medo dos bandidos e com raiva dos políticos incompetentes.
De quem é a responsabilidade por isso? Do governo? Da sociedade? Dos jornalistas? Dos psicólogos? De Deus?
Só o tempo dirá se teremos salvação.
Por hoje é só.