Os perigos da psiquiatria inconsequente

Os perigos da psiquiatria inconsequente

7 de agosto de 2019 0 Por Petrus Evelyn

Há alguns anos, quando eu fazia tratamento com um psiquiatra (para diversas coisas), recebi na última sessão que tive com ele o seguinte anúncio: “A partir do próximo atendimento, não aceitaremos mais o seu plano de saúde, este foi a última consulta”.

Estranhando como deixariam na mão não apenas eu, mas pacientes com quadros gravíssimos que ele atendia (como esquizofrenia, ideação suicida, entre outros), perguntei quanto seria a consulta, na qual tive a resposta do valor de R$ 400. Quatrocentos reais.

Ora, para mim, o psiquiatra – e qualquer outro profissional – tem o direito de pedir, por seus serviços, o preço que desejar, porém, nada mais desrespeitoso, para não falar antiético, do que cortar um tratamento no meio para cobrar um valor absurdo de 400 reais para quem antes era atendido por plano de saúde.

Existiam outras possibilidades mais inteligentes para o médico como, por exemplo, cobrar um valor menor temporário apenas para quem já estava em tratamento. Isso seria o mais inteligente e ético de se fazer.

Depois que relatei, à época, esse caso para alguns amigos, recebi deles diversos relatos de casos iguais, até que um amigo veio me falar algo ainda mais preocupante, porém extremamente realista:

“Petrus, para que serve o psiquiatra? Você conversa com ele? Aposto que muito superficialmente. Pois é… basta você ir em outro psiquiatra. Ele serve, meramente, para receitar um remédio que qualquer outro psiquiatra também pode receitar. Por isso não há diferença entre um ou outro”.

Apesar de achar a afirmação forte, não pude deixar de concordar. Pelo menos pela minha experiência nos psiquiatras que havia sido consultado, todos foram muito rápidos no diagnóstico e nas receitinhas de ansiolíticos viciantes e bastante superficiais na análise do problema. Percebi que o problema era mais profundo ainda: a psiquiatria ainda carece de uma abordagem mais profunda sobre o problema que o outro traz na consulta.

Apesar de ser um médico e ter como um dos objetivos receitar medicamento, não é apenas o medicamento que fará a mudança comportamental e sim um entendimento, por parte do paciente, de como é feita essa mudança. Se o próprio médico não a entende, como o paciente poderá entendê-la?