Por que Freud desistiu da hipnose?

Por que Freud desistiu da hipnose?

3 de setembro de 2019 0 Por petrusem

Uma das grandes críticas à hipnose é que o criador da Psicanálise, Sigmund Freud, teria abandonado a técnica e criado uma técnica supostamente mais eficiente como é a “livre associação”. Geralmente a falta de informação sobre esse assunto se dá, principalmente, porque Freud explica mais detalhadamente esse assunto em seu livro “Estudos sobre Histeria”, um livro menos conhecido de sua obra.

Freud aprendeu hipnose com seu mestre Charcot e, posteriormente, aprofundou os estudos com Bernheim, dois grandes nomes da hipnose na época. Apesar de ter conhecido os melhores, a hipnose ainda era bastante rudimentar no final do século XIX.

No caso Miss Lucy, apresentado no livro “Estudos sobre Histeria”, Freud afirma que se pudesse colocar todos os seus pacientes em transe profundo conseguiria ter bons resultados utilizando a hipnose, porém, ele não conseguia hipnotizar a maioria dos seus pacientes.

Ele chega a dizer que era embaraçoso tentar hipnotizar e não ter sucesso, haja vista que o paciente percebia que nada aconteceu. Para ele, com a livre associação, seus pacientes tinham acesso ao inconsciente e, com essa técnica, ele conseguia tratar a todos que se submetessem a esse método.

O problema de Freud e seu abandono da hipnose é só um: a técnica rudimentar. Cerca de 50 anos depois surgiria, nos EUA, um dos maiores hipnólogos de todos os tempos: Milton Erickson. Psiquiatra e psicanalista, ele aplicou as teorias de Freud à hipnose (um feito inédito até o momento) e o melhor: ainda criou uma técnica totalmente nova.

Com a hipnose ericksoniana (como ficou conhecida), não havia mais escalas de suscetibilidade hipnótica e podia-se adaptar diversos tipos diferentes de induções para diferentes tipos de pessoas.

Sim, Freud realmente abandonou a hipnose, mas aquela hipnose que ele praticava não utiliza nenhuma das técnicas avançadas da atualidade que envolve adaptabilidade, roteiro não-padronizado e formas inteligentes de superar a resistência do paciente. Um método muito mais eficaz e que funciona praticamente com todo mundo.